sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Desvestidamente

Pela primeira vez em muito tempo,
desvestiu-se 
mas não esperou que viesse.
desvestiu-se pra si mesma,
 a casa na penumbra,
telefones desligados,
musica boa ecoando sem
 interrupções.
era como se a harmonia 
dançasse a sua frente.
comeu sem pressa,
bebeu sorvendo gole a gole.
parada diante do espelho
nele  pensou
e só riu.
Vida danada essa,
sutilmente
 latejando,
vontade é certo fluiu.
as mãos  livremente 
 no corpo consentiu.
Voltando pra cama 
deitou-se
desvestida de tudo
depois e saciada
a musica longe já ia
e assim
livre
dormiu...
CatiahoAlc/ Reflexo d'Alma
PO23 de set de 2010

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Nau Lua















Ensina-me uma canção
Para despertar a lua

Desencantá-la do seu sono
Imerso na densidade das esferas

Componha uma canção
Isenta de pecados

Dissolva-os com a saliva
Do nosso amor trocado

Componha uma canção
Com notas soltas
E acordes de jasmim

Que seja doce e,
Dissolva na boca
Das noites lilases

Na transparência do negro azul mar
fim

Afete
O amor
O amargo
O denso
O fraco

Clareie a lua
A sua canção

O afeto
O gosto
O som


De cifra 
Astro irradiado

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Svalbard, I Love You

Durante seis meses, tive a oportunidade única de morar na cidade mais ao norte do mundo: Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard. Graças a um convite muito especial do explorador do ártico Chicco Mattos, consegui passar esse tempo de minha vida em um lugar ímpar.

Dona de uma natureza exuberante, com um clima subpolar, Svalbard possibilita aos seus visitantes e moradores a chance de testemunhar o sol da meia-noite em seu verão, e a noite polar em seu inverno. Durante a fase escura, vi um dos maiores espetáculos da natureza: a Aurora Boreal, e suas luzes verdes a dançar no céu estrelado do Ártico.

Além do frio que senti, – com direito a um início de frostbite em meu rosto - vi uma natureza única de animais que sobrevivem ao frio intenso, e a beleza de aves que migram todo o ano para Longyearbyen. Vi a vida, através das pequenas pétalas das flores, que se multiplicam para tentar sobreviver ao verão a embelezam ainda mais este lugar, que agora faz parte de minha história, e que ficará para sempre no meu coração.


 Longyearbyen, cidade mais ao norte do mundo
 Rena típica de Svalbard no inverno
 Eskerfossen, cachoeira congelada
 O transporte mais comum de Svalbard no inverno: o snowmobile
 Aurora Boreal em Adventdalen, início de março
 Tempelfjorden
 Uma barraca estilo indígena, clareando o branco da paisagem.
 Aves migratórias - o fim do inverno chegando
 Navio Nordstjernen, final de agosto
 Natureza viva sobre o gelo
 Eu em Magdalenefjorden
 Uma foca solitária, repousando sobre uma pedra
A estátua de Roald Amundsen, o maior explorador norueguês, na localidade de Ny-ålesund

domingo, 18 de setembro de 2016

a recíproca é verdadeira



eu sinto o blues o tempo inteiro,
todo dia.[1]
é minha sina, nasci com má sorte[2], dizem,
ao menos foi o que uma cigana disse a minha mãe[3]; 

nasci com o blues e pronto[4],

minhas 24 horas do dia cantam os blues
incansavelmente,
e eu canto junto.

afinal, se os problemas fossem dinheiro,
eu juro que seria um milionários[5];
como não posso perder o que nunca tive[6],
eu continuo bebendo[7] e esperando o sol bater na minha porta
algum dia[8],
pois os tempos são difíceis onde quer que você vá[9];

porque, sabe, é tão difícil amar alguém
que não ama você[10],
até porque ninguém me ama, a não ser minha mãe,
e olhe que ela pode estar bincando também[11],
mas logo eu estarei morto e dormindo a sete palmos do chão[12];

pois bem, é tanto blues na cabeça que
não sei se sou eu que sugo o blues,
ou se é ele quem me suga;
se eu o respiro ou se é o blues
que me re(in)spira.

André Espínola



[1] B. B. King – Everyday I Have The Blues
[2] Albert King – Born Under a Bad Sign
[3] Muddy Waters – Gypsy Woman
[4] Memphis Slim – Born With The Blues
[5] Albert Collins – If Trouble Was Money
[6] Muddy Waters – You Can’t Lose What You Never Had
[7] Pinetop Perkins – I Keep On Drinking
[8] Big Bill Broonzy – Trouble In Mind
[9] Skip James – Hard Times Killin’ Floor
[10] Son House – Death Letter
[11] B. B. King – Nobody Loves Me But My Mother
[12] Howlin’ Wolf – How Many More Years

sábado, 17 de setembro de 2016

Vida'mor

Quero a poesia madura
fruto recém colhido do pé
sabe-se lá o que é

não quero rascunho, esboço, nem tristeza
quero a palavra suculenta
antes que o fruto apodreça

quero as estrelinhas do teu corpo
afago de brisa
e sopro

quero a loucura escaldante
comer a polpa, a carnadura
a infinita tessitura do instante

quero a saliva
o sabor-a-ti, o orgasmo revigorador
antes de mais nada

quero a vida e o amor

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Chuva de canivetes

Pensava em um rumo
todos ali esperavam

todas as gotas
todos os minutos
todos ansiosos

aos poucos
eles iam embora
sozinhos
casais
ou grupos

tão escuro
tão frio
tão nervoso

estava na parada
seu ônibus
nunca veio.

sábado, 27 de agosto de 2016

São Thomé das Letras (MG)


     A cidade de São Tomé das Letras é um dos meus lugares preferidos, e sempre dou um jeito de passar por lá quando vou a minha Varginha, a uns 40 km de distância. A cidade é famosa pelo misticismo, bons restaurantes de comida típica e cachoeiras.
     Não por acaso, mereceu uma poesia bem humorada, que estará no meu próximo livro, Poesia Estradeira:

São Thomé das Letras

A nave do ET de Varginha estava com o GPS quebrado
O que queriam mesmo
era flanar por São Thomé
pousar perto da Pirâmide, de madrugadinha, sem ninguém por perto
sentar no telhado, a 1400 metros de altitude
discar o DDI, Discagem Direta Intergaláctica
e falar com a patroa:
“Meu bem, aqui é lindo! Daqui vejo nossa estrela:

pertim de casa!”

 A Pirâmide citada no texto é essa casa abandonada, que, no entanto, está bem conservada e é usada como mirante. A cidade está a 1440 metros de altitude.

 Do alto da gruta onde começou São Thomé, se vê a igreja matriz na praça


 Igreja do Rosário

 Pracinha com a estátua de Chico Taquara, morador já falecido, tido por alguns como um representante de outros mundos...


 Uma lojinha de artesanato local, na entrada da cidade


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Queria versos...

Poderia ter um verso novo,
porém não o tenho.
Ainda que tantos livros leia hoje,
 os versos não me vem.
Mesmo que a mente  tenha palavras e palavras
nenhuma me é sentida como verso.
Porque versos não são simples desabafos,
nem elaboradas rimas.
Versos são momentos que cristalizados
 brotam da alma do poeta.
Esse que em estado de graça ou de desgraça
apenas como  que semeando  
  os espalha ...
Seja  com seres que o lerão.
Ou simplesmente como o vento que
somente passa...
ou ainda como a natureza
 que calada 
contempla.
Como a Lua que simplesmente lá  de seu trono 
vê o Poeta que encantado 
versa seus versos
fazendo o mundo sorrir.
Hoje queria ter  versos assim
mas não os tenho por isso não desdenho;
Somente os espero  virem a mim.

CatiahoAlc/ Reflexo d'Alma  entre sonhos e  delírios

PO3 de ago de 2010

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Cinzas


Em uma metrópole qualquer. Debaixo de uma chuva fina, mas tão fina que se tornava quase invisível, caminhavam lado a lado, de mãos dadas, o garotinho e a mãe. A mãe ia andando com pressa, sem dar atenção ao filho, arrastando-o pela mão.

Quando eles pararam em um cruza-mento, esperando o sinal abrir, o garotinho girou o pescoço e reparou no mundo à sua volta: nas centenas de pessoas apressadas, nas plantas, pássaros, prédios e tudo o mais. Após uma breve análise, por sinal muito precisa, ele virou-se para a mãe e perguntou:

– Mamãe, se os passarinhos são coloridos, as plantas são coloridas, os prédios são coloridos e até mesmo a comida é colorida... Por que é que as pessoas são assim, cinza?

E ele ficou olhando, esperando por uma resposta. Enquanto o rosto da mãe, por vergonha, passou de cinza para rosa.

domingo, 21 de agosto de 2016

Contraste


Como pode haver poesia
Se existem barrigas vazias

Se há crianças em perigo
Refugiados sem abrigo

Se o medo é companheiro
A liberdade usurpada

A convivência insana?

Mas, poesia é tão intensa que,
Crava n’ alma as dores e,

Faz ouvir os gritos de pavores
Perceber o amargo do sangue

As cores que o corte derrama
A lucidez que a tez exclama!

Rogo em prece às Musas
Para que o bom senso que jaz reviva

Como brotos depois da chuva
Como a paz que trazem as flores

Para que viver e a Primavera
Continuem a fazer sentido


(Angela Gomes, 23/09/2015)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Poetizo-me

Faço de mim carne
Corpo para Deus manifestar-se
Faço de mim mente
Para Deus meus pensamentos povoar
Faço de mim espirito
Alma para Deus abençoar-me
E enfim faço de mim pássaro
Para com a liberdade poder voar.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Feito o diabo fugindo da cruz

Ela saiu correndo
e o derrubou
e atordoado,
custou a perceber
o que havia acontecido
forçou as vistas
procurando
e foi atrás dela

Dobrou a esquina
e pôde vê-la
estava longe

nada mais a fazer

Lá se ia a sua boa sorte,
tropeçando num gato
e se esparramando numa roseira.

M83 - "Wait" (Official Video) Thanks M83


sábado, 23 de julho de 2016

Entrega

A
real
entrega
não é a que
acontece
primeiro
numa cama,
no chão
e nem
a que
se
concretiza
só no
entrelaçar
dos
corpos.
Ela;
a entrega,
acontece
primeiramente
onde
não
testemunhas,
nem
jogos
ou
julgamentos.
Os que
não
se
apercebem
disso,
perdem
de
tantas
formas,
que
quando
finalmente
se
dão
conta,
o real
clímax
se
deu...
Que
Tolos.
CatiahoAlc/Reflexo d' Alma entre sonhos e delírios
PO23 de jul de 2010

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Sutil


Cantarolando, colheu do chão uma flor cheia de pétalas. Delicadamente, retirando pétala por pétala, começou a falar, entre sorrisos e suspiros:

– Bem me quer... Bem me quer! Bem me quer... Bem me quer!

Um amigo um tanto sem sal, e totalmente sem açúcar, interrompeu:

– Não! Não é assim!

Ao que ele respondeu:

– Você só diz isso porque você não conhece ela!

E continuou sorrindo.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Conversas a sós


Conversas a sós,
Entre mim e,
Sombras que me habitam.

Entre as que me agradam
E, as que me irritam.

Na solidão de uma cela
Cheia da minha companhia.

No aconchego do descanso
E, terror da luz que as clareia.

Entre, quem ama e se odeia.

Entre o que se conhece
E o que não se imagina.

Ante a contemplação
Do que nunca termina...

Cosmos em átomos...,
Moléculas em desenhos abstratos.

Meu amor em um porta-retrato
Desbotado pelo tempo
Perdido.


(08/09/2013)

terça-feira, 19 de julho de 2016

Bush Doctor

Arnaldo saiu de casa no horário de sempre. Banho tomado, cabelo penteado e baseado enrolado. Entrou no carro, selecionou no seu pen drive a sua coletânea preferida do Bob Marley, ligou o ar condicionado no talo e seguiu o seu tradicional trajeto da semana, por entre as ruas da cidade.

Arnaldo já sabia o tempo de percurso, tanto que sabiamente fechava o seu baseado tamanho extra large para, metricamente, fumar metade no caminho de ida, e a outra metade na volta. Sempre atento aos policiais ou guardas de trânsito, Arnaldo já tinha tanto a manha da coisa que escondia por entre seus dedos o cigarro de maconha de uma forma que poucos, ou ninguém, conseguiria perceber de fora o que era. Além de quê, seu carro tinha película e, devido ao calor tropical de sua cidade, Arnaldo sempre dirigia com os vidros fechados.

Na batida do reggae, Arnaldo prensava sua cannabis e viajava ao som do rei. Nada tirava-o do sério durante o seu ritual matinal. O trânsito, o stress, as discussões, tudo ficava de lado nessa hora. Absolutamente nada fazia Arnaldo perder sua calma. Apenas ele e seus dois Bobs, um no som do carro, o outro indo direto para a sua mente. Simples assim.

Quando o seu cigarro chegava à metade, Arnaldo já se punha a apaga-lo, geralmente entre as avenidas 07 de Setembro e Pedro II. A partir dali, se nada de anormal acontecesse, eram menos de quinze minutos até o seu destino final. Tempo para mascar um chiclete, e olhar no retrovisor a vermelhidão dos olhos. Mesmo tendo mais horas de fumo do que urubu tem de voo, Arnaldo ainda achava graça em olhar a si mesmo com as pupilas dilatadas – assim como quando era adolescente, antes ainda de entrar para a faculdade, quando Arnaldo fumara seus primeiros beques. Sim, Arnaldo parecia não perder aquele seu lado infantil, mesmo já estando perto dos quarenta – afinal, para ele, aquilo sim era a mais pura alegria.

Ao estacionar seu carro na vaga de sempre, Arnaldo pegou o colírio e pingou em seus olhos. Borrifou um pouco de perfume por entre os dedos e pelo pescoço e entrou no prédio comercial. Ao chegar no consultório, foi já de cara avisado pela secretária:

- Bom dia Doutor Arnaldo! Bem, são cinco pacientes agendados para a manhã, e quatro para a tarde de hoje. Isso se o seu Azevedo não aparecer aqui lá pelas duas horas. Aí já viu né... o que digo pra ele?

- Diga que espere. Se ele quiser uma reconsulta, vai ter de pagar. Não adianta querer fazer pelo plano, viu?

- Ah, vou dizer pra ele. Nossa, já estou até vendo a cara dele... Bem, já deixei seu chá gelado no frigobar e o café expresso na sua mesa, doutor Arnaldo. A primeira paciente já deve estar chegando...

- Obrigado, Marialva. Até mais!

Arnaldo entrou em seu consultório e ficou cantarolando a última música que escutara no carro. Bebericou o café e viajou o que pôde, até que sua primeira paciente chegasse e acabasse com sua festinha particular.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

México 70 - A Copa que eu não vi

Será possível alguém sentir saudades daquilo que não vivenciou? Por mais estranho que pareça, eu sinto, pois sempre me lembro com nostalgia da Copa do Mundo que, com meros quatro anos de idade,  eu não vi.  Ele foi disputada  no México, 1970, quando onze homens vestiram a camisa amarela da seleção brasileira e juntos elevaram o futebol à categoria de obra de arte.
Esqueçam tudo o que ouviram falar do governo Médici, seus porões sangrentos e a utilização do futebol como massa de manobra para manter o povo alienado e em seu lugar. Ignorem milagres econômicos, Guerra do Vietnã ou o movimento hippie. Procure no Youtube a Copa de 70 e foque-se apenas nas quatro linhas que demarcaram o campo de batalha do Estádio Jalisco, na cidade de Guadalajara. Naquele longínquo mês de junho, o “scratch canarinho” como era carinhosamente chamada a seleção, apresentou um espetáculo futebolístico nunca visto antes e quiçá impossível de ser reapresentado pois, a despeito do futebol haver mudando tanto em disciplina tática quanto nos aprimoramentos físico e técnico, as peças do xadrez eram outras, e de qualidade infinitamente superior ao que vemos hoje.
Para começar, havia um deus de ébano no esplendor de sua forma física, tecnicamente perfeito e amadurecido nos seus trinta anos de idade. Pelé, simplesmente o Rei, que conseguiu a façanha de ficar eternizado na Copa em que foi magistral não pelos gols assinalados, mas pelos perdidos. Veja, reveja e deslumbre-se com o seu chute do próprio campo contra a meta adversária e o desespero do goleiro theco, ou a clássica cabeçada defendia pelo inglês Gordon Banks, jogada responsável pela fama do arqueiro da seleção inglesa por muitos anos, ou ainda a incrível, fantástica, esteticamente maravilhosa meia-lua sem tocar na bola contra um goleiro uruguaio de prosaico nome polonês. No México Pelé foi perfeito, um maestro acompanhado pelo spalla Tostão, talentoso meia do Cruzeiro que meses antes sofrera um grave descolamento de retina e, do inferno a redenção, brilhou em terras aztecas. Justamente no confronto mais difícil, contra o “English Team”, consagrado campeão do mundo quatro anos antes, Tostão deixou sua marca em uma jogada individual pelo lado esquerdo onde, após provocar um salseiro, passou a bola para Pelé que, com um simples toque para lado, deixou Jairzinho livre para decretar a magra, contudo heroica vitória por um a zero.
Como esquecer de Jairzinho, o Furação da Copa? Seis jogos, seis gols, façanha nunca antes alcançada, nosso camisa sete levou pânico as defesas adversárias com suas arrancadas mortíferas. Tivemos ainda Rivelino e sua patada atômica; Brito zagueiro raçudo, considerado o pulmão da copa; Carlos Alberto, nosso eterno capitão que perpetuou o gesto de beijar a taça Jules Rimet (que como dizia o samba-enredo “derreteram na maior cara-de-pau”); a juventude veterana de Clodoaldo, a organização tática e os lançamentos milimétricos de Gerson, o canhotinha de ouro; a classe de Piazza, a discrição de Félix e Everaldo.
Campanha sem igual, coroada com a brilhante exibição na final disputada na Cidade do México. Um 4 x 1 convincente contra a seleção italiana, tão diferente destas finais insossas que nos acostumamos a presenciar nas últimas Copas.

Parafraseio Pablo Neruda e confesso que não vivi o momento, não vi a maior seleção de futebol de todos os tempos mas, graças ao milagre tecnológico, este espetáculo está ao alcance de qualquer mortal . Aprecie sem moderação.

domingo, 17 de julho de 2016

Flor dos meus pensamentos

Meus pensamentos
são como uma flor
que desabrocha com o tempo
chamuscada pelo sol
despetalada pelo vento

sábado, 16 de julho de 2016

Onda

aquele ali é hippie e está na moda
aquele outro é vegano porque é moda
fulano envenena o próprio corpo
e se diz preocupado
com a natureza

ciclanos e beltranos
estão dizendo que não vai ter copa

e tantos tantos outros
batem panelas contra o governo

poucos sabem
o que realmente estão fazendo

vejo uma onda levando todo o resto
e acabando num redemoinho

alguns se salvam
ficam boiando
como merda após a descarga.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

E pi fa nia do Ser


--> -->Os olhos sobre a pele queimando
As mãos mais que tato não se limitando
apenas ao toque,
na verdade explorando.
As palavras mais que articuladas
pousando como
carícias intensas.
Cada vez que os olhos se encontrando
era magia faísca se tornando.
Assim incêndio no íntimo consumando.
Certamente os que de magia entendessem
por ali passando nítidamente notando
o círculo de fogo formado sobre suas cabeças.
Sob os pés nevoa de encantamento se dando.
Pois certo que em leveza flutuavam.
Enquanto que ao redor tudo
fenecendo...
Rumores,
sabores
cheiros ,
movimento.
Porém como se nada mais existisse
encantados não percebiam.
Segundos, minutos , horas
dessa coisa de tempo não se inquietando.
Verdade é que o mistério da epifania já se dera.
Tempo sem tempo,
momento único passando
num piscar de olhos.
Água na face,
realidade à porta
e o tempo controle da vida
o fio puxando
como que do sonhar acordando
cada um tomando
caminho seu.
Nas mentes doce lembrança.
No corpo dor do desejo...
Na alma rubor do encanto.
E a tarde prosseguindo...
a brisa trazendo de volta o arrepio
que na pele eriça o pelo...
Um pro nada olhando
o outro o céu desvendando.
A lua por testemunha muda
brilhando sorri
pois só ela percebera
a epifania
que entre deles
se dera.
CatiahoAlc./ReflexodAlma
PO23 de jun de 2010